vinilariando!

Era domingo…
Olhei para o amplificador Polivox na prateleira e a pick-up Gradiente TS-515…
Resolvi fazer os monstros analógicos ganharem vida. Temia pelo pior… que os anos em que foram deixados no canto pudessem ter feito mal a eles…
Não pelo lado físico, se me entendem, mas pelo lado sentimental …
Quebrei a cabeça com alguns cabos estragados e com um bom jeitinho brasileiro, a coisa rolou…. Um chiado aqui, uns tapinhas no aparelho ali (já tinha até esquecido desse recurso estético-analógico)…
Quatro caixas de som… desviadas de um home t. quebrado…
E não é que uma coisa estranha rolou….
E eu me pego achando aquele som muito mais lindo do que imaginava. Não havia registro daquela sonoridade na minha memória afetiva- musical.
Outra coisa! Levantei dezenas de vezes para trocar o disco. Nem me lembrava dessa ginástica estética. Passar de música é uma coisa física. Não tem essa de apertar botão.
Retomei a arte de colocar a agulha no começo do disco com o dedo…ahcar o início das faixas (chega a ser ridículo, falando assim). Quantas emoções… A textura das capas e dos encartes, o plástico e o cheiro de coisa guardada (pra te dar um sentimento de culpa).
Mergulhei nos meus discos antigos, encostados… mas inteiros. Fiz a seleção especial para a volta. Um udigrudi sonoro:
1. Disco “Raimundo Fagner” de 1976… “Com A se escreve amor e arma, com B se escreve bola e bala, com C se escreve céu e cela…”
2. “Dark side of the moon” Pink Floyd. “Breathe, breathe in the air.
Don’t be afraid to care. “
3. Gerry Mulligan e Chet Baker no Carnegie Hall. Um disco apresentado pelo meu irmão com o Ademir da Guia do trompete. Desculpem-me a liberdade de expressão. “There will never be another you” – precisa falar algo.
4. Laurie Anderson em “Mister Heartbreak” destaco “kokoku” apresentado por um amigo de trabalho na compensação de um banco. Era o mais alternativo dos compensadores de bancos do mundo.
5. Tom Waits. “Rain Dogs” – “dowtown train” e “rain dog”
6. Este, finalmente, foi impressionante. Marco Antonio Araújo com “Animal Racional”. Especialmente as músicas “floydiana” e “quando a sorte te solta um cisne na noite”. Comprei esse disco em 1986 na época das Diretas, Já!
Não sou nostálgico, nem luto pela volta do vinil. Acho que isso já está superado. Cada um no seu quadrado e pronto… Mas esse som do vinil encheu a sala de um jeito …
Dá vontade de citar a letra do Hermínio Bello de Carvalho: “Nem sei se essa beleza de que lhes falo, vem tão somente do meu coração”

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