Cabra Vadia

“Ah, como é falsa a entrevista verdadeira! (…)
Nem importa o assunto. Seja batalha de confete, ou Hiroshima, um cano furado ouos Direitos do Homem. O que vale é o cinismo gigantesco. (…)
No fim de alguns anos, eis a minha certeza definitiva, inapelável: – ninguém devia ser entrevistado, nem os santos. Até que, um dia, na crônica, ocorreu-me a idéia das ‘entrevistas imaginárias’.(…)
Não podia se um gabinete, nem uma sala. Lembrei-me, então, do terreno baldio. Eu e o entrevistado e, no máximo, uma cabra vadia. (…)
Restava o problema do horário. Podia ser meia-noite, hora convencional, mas altamente sugstiva. Nada do que se diz, ou faz, à meia-noite, é intranscendente. Boa hora para matar, para morrer ou, simplesmente, para dizer verdades atrozes.”

(“Terreno Baldio” em A Cabra Vadia de Nelson Rodrigues)

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