Curvas do Rio Gavião

Curvas do Rio
Elomar Figueira Melo

Vô corrê trecho
Vô percurá u’a terra preu podê trabaiá
Prá vê se dêxo
Essa minha pobre terra véia discansá
Foi na Monarca a primeira dirrubada
Dêrna d’intão é sol é fogo é tái d’inxada
Me ispera, assunta bem
Inté a bôca das água qui vem
Num chora conforma mulé
Eu volto se assim Deus quisé

Tá um apêrto
Mais qui tempão de Deus no sertão catinguêro
Vô dá um fora
Só dano um pulo agora in Son Palo Triang’ Mineêro
É duro môço êsse mosquêro na cozinha
A corda pura e a cuia sem um grão de farinha
A bença Afiloteus
Te dêxo intregue nas guarda de Deus
Nocença ai sôdade viu
Pai volta prás curva do rio

Ah mais cê veja
Num me resta mais creto prá um furnicimento
Só eu caino
Nas mão do véi Brolino mêrmo a deis pur cento
É duro môço ritirá prum trecho alei
C’ua pele no osso e as alma nos bolso do véi
Me ispera, assunta viu
Sô inbuzêro das bêra do rio
Conforma num chora mulé
Eu volto se assim Deus quisé
Num dêxa o rancho vazio
Eu volto prás curva do rio

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Um comentário sobre “Curvas do Rio Gavião

  1. descobri elomar há pouco mas já o gosto como há muito. faço minhas as palavras dele no programa ensaio, em 1999: “iscuto nada não, fino… bora toca mais uma joão omar…”. é, temos dificuldade em escutar.

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